Não precisa de desenho técnico pra pedir peça de borracha sob medida. Se você só tem a peça velha, ela já serve de ponto de partida.
Mande pra Roma a amostra, uma foto com régua, as medidas que conseguir tirar, onde a peça trabalha e quantas você precisa. A partir da amostra, a engenharia da Roma desenvolve a peça.
Precisa mesmo de desenho pra fazer peça de borracha sob medida?
Não. O desenho ajuda e, se você tem, mande junto, em PDF ou foto. Mas ele não é condição pra começar.
No site da Roma está escrito assim:
“Nosso departamento de engenharia e ferramentaria está devidamente capacitado e equipado para atender aos projetos mais desafiadores. Desenvolvemos baseados em amostras e também utilizando o projeto de nossos clientes.”
Ou seja: dá pra partir do seu projeto ou da sua amostra. No perfil de borracha tipo U, por exemplo, a peça sai segundo amostra ou desenho.
O que trava o orçamento não é a falta do desenho. É a foto sem medida, sem material e sem dizer onde a peça vai trabalhar. A lista abaixo resolve isso.
Não tenho desenho, só as peças. O que eu mando?
Cinco coisas. Quanto mais delas chegarem na primeira mensagem, menos ida e volta na conversa.
Também não precisa saber o nome técnico. Escreva como você chama a peça e onde ela fica. Por exemplo: a borracha da porta da câmara fria, da esquadria, do painel ou da bancada.
1. A amostra ou a peça velha
A peça na mão mostra o que a foto não mostra: o formato inteiro, o encaixe, se ela é maciça ou esponjosa. Mesmo gasta, rasgada ou ressecada, ela serve de referência.
Se é a única que você tem e vai precisar dela de volta, avise logo na primeira mensagem. Antes de despachar, combine o envio pelo WhatsApp.
2. Foto com régua ou trena do lado
Foto sozinha não diz o tamanho. Encoste uma régua ou uma trena na peça e fotografe de cima, com luz boa.
Se a peça é um perfil, fotografe também a ponta. Perfil é a borracha em barra comprida, com o mesmo formato em toda a extensão. A ponta mostra o formato do corte: U, quadrado, meia-cana ou T.

3. As medidas que você conseguir tirar
Comprimento, largura e espessura, que muita gente chama de grossura. Se a peça tem furo, mande a medida do furo e a distância entre eles.
Se tiver paquímetro, use: ele pega a espessura melhor que a régua. Encoste sem apertar, porque a borracha cede e a medida sai menor.

Mande a medida por escrito, mesmo que o resto da conversa venha em áudio.
Pode ser em milímetro ou em polegada. Uma polegada tem 25,4 mm. Então 1/8″ dá 3,175 mm, 1/4″ dá 6,35 mm e 1/2″ dá 12,7 mm.
4. Onde a peça trabalha
Conte em que máquina ou lugar ela fica e com o que tem contato: óleo, graxa, combustível, água quente, vapor, sol, chuva. Diga também se ela esquenta.
É essa informação que decide o composto, a mistura de borracha da peça. O porquê vem logo abaixo.
5. Quantas peças você precisa
Diga a quantidade, mesmo que seja uma peça só. A Roma não tem pedido mínimo.
Se a peça vem em barra ou em rolo, diga quantos metros precisa.
Por que vocês precisam saber onde vou usar?
Porque a peça no formato certo e no composto errado dura pouco. A borracha muda de comportamento conforme o que encosta nela.
O guia da Roma sobre NBR e EPDM mostra como isso funciona:
- Óleo, graxa e combustível pedem NBR, a borracha nitrílica. Óleo faz o EPDM inchar e amolecer.
- Sol, chuva, ozônio, água quente e vapor pedem EPDM. Sol e ozônio ressecam e trincam a NBR.
- A NBR trabalha de -30°C a +100°C contínuos, com picos curtos de 120°C. O EPDM, de -40°C a +130°C contínuos.
- Óleo com mais de 100°C contínuos pede Viton (FKM). Calor alto sem óleo, silicone.
A Roma trabalha com borracha natural (NR), SBR, nitrílica (NBR), Viton, EPDM, neoprene e silicone. Quem pede BUNA está falando de NBR (Buna-N) ou de SBR (Buna-S). Saber onde a peça trabalha é o que permite indicar entre eles.
Se a peça velha inchou, trincou ou endureceu, fotografe o defeito. Ele mostra o que o composto antigo não aguentou. Inchada e mole costuma ser sinal de óleo. Ressecada e trincada, de sol e ozônio.
E a dureza? A peça não pode ser muito dura
A dureza da borracha costuma ser medida em Shore A, uma escala de 0 a 100. A leitura é feita com um aparelho chamado durômetro, pela norma ASTM D2240. Quanto maior o número, mais firme a borracha.
Se o desenho ou a peça antiga traz um número de dureza, ele vai no pedido. Se não traz, descreva como a peça é na mão: firme, macia, esponjosa, se afunda fácil com o dedo.
Pra ter referência, esta é a dureza de alguns itens do catálogo da Roma:
- Tira de SBR: 70 ±5 Shore A
- Estrado liso: 65 ±5 Shore A
- Placa de borracha natural: 65 ±5 Shore A
- Lençol isolante elétrico: 50 ±5 Shore A
- Perfil SBR tipo U: 50 ±10 Shore A
- Perfil esponjoso: 30 ±10 Shore A
- Cordão EPDM esponjoso: 30 ±5 Shore A
O “±” é a tolerância, a variação aceita em volta do número. Na tira de SBR, 70 ±5 quer dizer de 65 a 75 Shore A.
Por isso “dureza padrão” diz pouco. Na lista acima, o número vai de 30 a 70 conforme o item. Onde a peça trabalha e como ela é na mão dizem mais.
O que acontece depois que a amostra chega
Com a amostra e as informações na mão, o departamento de engenharia e ferramentaria da Roma desenvolve a peça a partir dela.
Os compostos de borracha são testados no laboratório próprio, que a Roma mantém desde 2004. A empresa foi fundada em 1987 e, desde 1997, a fábrica fica em Caieiras, na Grande São Paulo. Está tudo na página da empresa. A Roma também tem certificação ISO 9001.
E o prazo? Ele varia de peça pra peça. Pergunte junto com o orçamento.
Resumo: o que mandar no WhatsApp
- A amostra ou a peça velha, com o envio combinado antes
- Foto com régua ou trena do lado e, se for perfil, foto da ponta
- Comprimento, largura e espessura, em milímetro ou polegada, por escrito
- Onde a peça trabalha e com o que ela tem contato
- A dureza em Shore A, se souber, ou como a peça é na mão
- Quantas peças ou quantos metros
- O desenho, se tiver. Se não tiver, a amostra serve de ponto de partida.
Com isso, a conversa já começa pelo que a engenharia precisa ver.



